A Noite Escurece em Torno de Mim – Emily Brontë

Marcus Stone

A noite escurece em volta de mim,
Os ventos selvagens friamente golpeiam;
Mas um tirano feitiço me ligou a isso,
E eu não posso, não posso ir.

As árvores gigantes se curvam
Seus ramos nus pesados com a neve;
A tempestade desce rápido,
E ainda assim eu não posso ir.

Nuvens sobre nuvens acima de mim,
Ruína além e ruína abaixo;
Mas nada sombrio pode mover-me:
Eu não vou, não posso ir.

The Night is Darkening Around Me by Emily Bronte

The night is darkening round me,
The wild winds coldly blow ;
But a tyrant spell has bound me,
And I cannot, cannot go.

The giant trees are bending
Their bare boughs weighed with snow ;
The storm is fast descending,
And yet I cannot go.

Clouds beyond clouds above me,
Wastes beyond wastes below ;
But nothing drear can move me :
I will not, cannot go.

Richard Redgrave

Tradução Maria Oliveira
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A Separação – Anne Brontë

O cavalo castanho estava junto ao portão
à espera da vontade do seu nobre senhor,
O parque arborizado tão verde e brilhante
Estava brilhando na luz da manhã,
As folhas jovens das árvores  tremulas
Estavam dançando na brisa da manhã.
A porta do palácio foi aberta,
Seu senhor estava lá,
E sua doce senhora ao seu lado
Com suaves olhos escuros e cabelo negro.
Ele pegou a mão dela sorrindo cauteloso,
E disse: “Não mais aqui estarei;
Meu carregador balança a crina esvoaçante
E chama-me com relinchar impaciente.
Adeus então até nos encontrarmos novamente,
Doce amor, eu já não devo ficar”.

“Você não deve ir tão cedo”, disse ela,
“Eu não vou dizer adeus.
O sol não dissipou a sombra
Além no vale orvalhado;
Sombras escuras de tamanho gigantesco
Estão dormindo no gramado;
E dificilmente os pássaros começam
A saudar essa manhã de verão;
Então fique comigo um pouco mais”,
Ela disse com um sorriso suave e ensolarado.

Ele sorriu de novo e não falou,
Mas levemente beijou a sua bochecha rosada,
E carinhosamente a apertou em seus braços,
Em seguida, saltou em seu cavalo.
E abaixo na estrada plana do parque
Ele aumentou a sua velocidade de voo.
Ainda à porta sua senhora estava
E observou seu voo rápido,
Até que ele chegou a um bosque distante
Que o escondeu de sua visão.
Mas antes que ele desaparecesse de sua vista
Ele acenou para ela um último adeus,
Então, ele se dirigiu rapidamente em frente
E na floresta desapareceu.

A senhora sorriu um sorriso pensativo
E soltou um suspiro delicadamente,
Mas suas bochechas estavam sempre viçosas
E seus olhos não tinham lágrimas.
“Mil flores adoráveis”, disse ela,
“Tem sorrido na planície.
E antes que metade delas morra
Meu Senhor voltará.
As folhas frescas e verdes estão balançando.
Em cada árvore majestosa,
E muito antes que elas desapareçam,
Ele retornará para mim!”
Ah! Bela dama, não fale assim;
Tu não podes falar do peso da desgraça
Que está reservada a ti.

Aquelas flores vão murchar, as folhas vão cair,
O inverno escurecerá lá o salão;
A doce primavera vai sorrir sobre morros e planícies
As árvores e as flores vão nascer novamente,
E anos ainda vão continuar mantendo-se assim,
Mas teu senhor amado se foi.
Sua ausência tu te lamentaras profundamente,
E nunca sorrirás em seu retorno.

©Edmund Blair Leighton

Taduzido do inglês por Maria Oliveira e Dandara Machado.
Sites pesquisados:
http://famouspoetsandpoems.com
http://goldenagepaintings.blogspot.com

Estâncias – Emily Brontë

Florence Emma Harrison

Muitas vezes repreendido, porém sempre retornando
Aos primeiros sentimentos que nasceram comigo,
Trocando a busca por riqueza e aprendizado
Por sonhos de coisas que não podem ser:

Hoje, não vou procurar a região das sombras;
Tenho medo de sua insustentável e lúgubre imensidão;
E visões aumentando, legiões após legiões,
Aproximam tão estranhamente o mundo irreal.

Caminharei, mas não nos velhos rastros heróicos,
E não nos caminhos da moral elevada,
E não entre as faces parcialmente distintas,
As formas nubladas de uma história há muito passada.

Vou andar onde a minha própria natureza seria líder:
Aflige-me escolher um outro guia:
Onde os rebanhos cinza nos vales  estão se alimentando;
Onde o vento sopra selvagem no lado da montanha.

Que podem revelar as montanhas solitárias?
Mais glória e luto do que eu possa dizer:
A Terra que acorda um coração humano para o sentimento
Pode centrar ambos os mundos do céu e o inferno.

Stanza

Often rebuked, yet always back returning
To those first feelings that were born with me,
And leaving busy chase of wealth and learning
For idle dreams of things which cannot be:

Today, I will seek not the shadowy region;
Its unsustaining vastness waxes drear;
And visions rising, legion after legion,
Bring the unreal world too strangely near.

I’ll walk, but not in old heroic traces,
And not in paths of high morality,
And not among the half-distinguished faces,
The clouded forms of long-past history.

I’ll walk where my own nature would be leading:
It vexes me to choose another guide:
Where the grey flocks in ferny glens are feeding;
Where the wild wind blows on the mountain side.

What have those lonely mountains worth revealing?
More glory and more grief than I can tell:
The earth that wakes one human heart to feeling
Can centre both the worlds of heaven and hell.

http://famouspoetsandpoems.com
Tradução: Maria Oliveira

Recordação – Emily Brontë

A ilustração me faz pensar que a recordação de Emily era de algo assim, com um pretendente que ela amou.

Frio na Terra – e a neve empilhada sobre ti,
Tão longe estás na tumba desolada!
Eu esqueci meu único amor, de amar-te.
Separada, por fim, pela maré do mundo?

Agora, quando só, meus pensamentos não mais pairarão
Sobre as montanhas dessa costa ao norte,
Descansando suas asas onde as samambaias rodeiam
Teu nobre coração para sempre, cada vez mais?

Frio na Terra – quinze Dezembros selvagens
Daquelas colinas marrons derretidas na Primavera:
Fiel é o espirito em que as lembranças permanecem
Após tantos anos de mudanças e sofrimentos!

Amor doce de juventude, perdoa-me se eu esquecer de ti,
Enquanto a maré do mundo está carregando-me junto:
Severos desejos e esperanças  me envolvem,
Esperanças que obscurecem, mas não podem fazer-te mal!

Nenhuma luz tem iluminado meu céu;
Nenhuma manhã tem brilhado para mim:
Todo o bem da minha vida veio da vida que me deste,
Todo o bem da minha vida está no túmulo contigo.

Mas quando os dias de sonhos dourados desapareceram,
E até mesmo o Desespero era incapaz de destruir,
Então aprendi como a existência pode ser estimada,
Fortalecida, alimentada sem ajuda da alegria.

Então as lágrimas sequei do amor fútil,
Calei minha alma de por ti ansiar;
E duramente lhe neguei esse desejo apressado
De em tumba mais que minha me deitar.

E ainda agora não me atrevo a deixar-me definhar,
Não me atrevo a ceder à dor arrebatadora das lembranças;
Enaquanto bebendo da mais divina angústia,
Como posso buscar o mundo vazio novamente?

Remembrance

Cold in the earth—and the deep snow piled above thee,
Far, far removed, cold in the dreary grave!
Have I forgot, my only Love, to love thee,
Severed at last by Time’s all-severing wave?

Now, when alone, do my thoughts no longer hover
Over the mountains, on that northern shore,
Resting their wings where heath and fern-leaves cover
Thy noble heart for ever, ever more?

Cold in the earth, and fifteen wild Decembers
From those brown hills have melted into spring:
Faithful indeed is the spirit that remembers
After such years of change and suffering!

Sweet Love of youth, forgive if I forget thee,
While the world’s tide is bearing me along:
Sterner desires and other hopes beset me,
Hopes which obscure, but cannot do thee wrong!

No later light has lightened up my heaven;
No second morn has ever shone for me:
All my life’s bliss from thy dear life was given,
All my life’s bliss is in the grave with thee.

But when the days of golden dreams had perished,
And even Despair was powerless to destroy,
Then did I learn how existence could be cherished,
Strengthened, and fed without the aid of joy.

Then did I check the tears of useless passion,
Weaned my young soul from yearning after thine;
Sternly denied its burning wish to hasten
Down to that tomb already more than mine.

And even yet I dare not let it languish,
Dare not indulge in Memory’s rapturous pain;
Once drinking deep of that divinest anguish,
How could I seek the empty world again?

Morte – Emily Brontë

Hans Andersen Brendekilde

Morte! Que me feriste quando eu estava confiante
Na minha fé cega da alegria de ser –
Atacas novamente e cortas do Tempo os ramos ressecados
A partir da raiz fresca da eternidade!

Folhas, no ramo do Tempo cresciam intensamente,
Cheias de seiva, cheias de orvalho de prata;
Pássaros sob o seu abrigo noturno se reuniam;
De dia as abelhas selvagens rodeavam suas flores.

A tristeza passou e arrancou a flor de ouro;
Depois a culpa tirou o orgulho da folhagem;
Mas o Pai generoso que lhe tinham dado nascimento,
Fluiu para sempre a vida restaurada.

Pouco chorei pela alegria desaparecida,
Sobre o ninho morto o silencio era a canção –
A esperança estava lá e riu da tristeza,
Sussurrando: “O inverno não vai demorar”!

E eis! Com enorme bênção,
A primavera mutiplicou os seus favores;
O vento, a chuva, o calor ardente, acariciavam,
Derramando glória naquele dois de Maio!

No alto a morte alada  não  pode tocar;
O pecado fugiu diante do brilho de seus raios;
O amor, sua vida, tinham poder para mantê-lo
Do erro, de cada praga, porém tuas!

Cruel morte! As folhas jovens estão enfraquecidas;
O ar da noite ainda pode restaurá-las –
Não! O sol da manhã zomba da minha angústia –
O Tempo para mim não deve mais florescer!

Golpeá-la para para baixo, que outros ramos poderão florescer
Onde pereceu o broto usado para ser;
Ao menos, este  corpo vai na poeira nutrir
Isso de onde surgiu – Eternity.

Death

Death! that struck when I was most confiding
In my certain faith of joy to be –
Strike again, Time’s withered branch dividing
From the fresh root of Eternity!

Leaves, upon Time’s branch, were growing brightly,
Full of sap, and full of silver dew;
Birds beneath its shelter gathered nightly;
Daily round its flowers the wild bees flew.

Sorrow passed, and plucked the golden blossom;
Guilt stripped off the foliage in its pride;
But, within its parent’s kindly bosom,
Flowed for ever Life’s restoring-tide.

Little mourned I for the parted gladness,
For the vacant nest and silent song –
Hope was there, and laughed me out of sadness;
Whispering, ” Winter will not linger long!”

And, behold! with tenfold increase blessing,
Spring adorned the beauty-burdened spray;
Wind and rain and fervent heat, caressing,
Lavished glory on that second May!

High it rose – no winged grief could sweep it;
Sin was scared to distance with its shine;
Love, and its own life, had power to keep it
From all wrong – from every blight but thine!

Cruel Death! The young leaves droop and languish;
Evening’s gentle air may still restore –
No! the morning sunshine mocks my anguish –
Time, for me, must never blossom more!

Strike it down, that other boughs may flourish
Where that perished sapling used to be;
Thus, at least, its mouldering corpse will nourish
That from which it sprung – Eternity.

Ignace Henri Jean Fantin Latour-immortality

 

http://famouspoetsandpoems.com
Tradução: Maria Oliveira

  • Portrait atribuído a Charlotte Brontë 1850 - National Portrait Gallery, Londres
  • Haworth Parsonage

    Escadas para o primeiro andar

  • Poemas

  • Os poemas de Emily Jane Brontë são obras apaixonadas e poderosas que transmitem a vitalidade do espírito humano e do mundo natural. Apenas 21 de seus poemas foram publicados durante sua vida - este volume contém esses e todos os outros atribuídos a ela. Muitos poemas descrevem o país mítico de Gondal e seus cidadãos de que ela imaginava com Anne, o unico registro sobrevivente de sua criação conjunta. Outros trabalhos visionários, incluindo "Remembrance" e "No coward soul is mine", corajosamente enfrentou a mortalidade e antecipou a vida após a morte. E poemas como "Redbreast early in the morning" e "The blue bell is the sweetest flower" evocam as belezas selvagens da natureza que ela observou nas charnecas de Yorkshire, ao mesmo tempo, examina o estado de sua psique. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Wuthering Heights

  • Em uma casa assombrada por memórias, o passado está em toda parte ... Quando a escuridão cai, um homem preso em uma tempestade de neve é forçado a abrigar-se na casa do estranho e sombrio morro dos ventos uivantes. É um lugar que ele nunca vai esquecer. Lá, ele irá conhecer a história de Cathy: como ela foi forçada a escolher entre seu marido bem intencionado e o homem perigoso que ela tinha amado desde que era jovem. Como sua escolha levou a traição e uma vingança terrível - e continua a atormentar aqueles no presente. Como o amor pode transgredir convenções autoridade, até mesmo a morte. E como o desejo pode matar. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Agnes Grey

  • Quando sua família se torna empobrecida depois de uma especulação financeira desastrosa, Agnes Grey determina-se a encontrar trabalho como governanta, a fim de contribuir para o seu magro rendimento e afirmar a sua independência. Mas o entusiasmo de Agnes é rapidamente extinto, enquanto ela enfrenta as primeiras lutas com as crianças incontroláveis Bloomfield e depois com o desprezo doloroso da altiva família Murray; ela só recebe bondade do Sr. Weston, o cura joven. Baseando-se em sua própria experiência, o primeiro romance de Anne Brontë oferece uma perspectiva atraente sobre a posição desesperada das solteiras, mulheres educadas para se tornarem governantas, por ser a única carreira respeitável para moças pobres na sociedade vitoriana. http://www.penguinclassics.co.uk
  • The Tenant of Wildfell Hall

  • "Eu já não amo meu marido - eu o odeio! As palavras para mim, no rosto, são como uma confissão de culpa” Gilbert Markham está profundamente intrigado por Helen Graham, uma jovem mulher bonita e misteriosa que se mudou para perto Wildfell Hall com seu jovem filho. Ele é rápido para oferecer a Helen sua amizade, mas quando seu comportamento recluso passa a ser o assunto de fofocas locais e especulação, Gilbert começa a se perguntar se deveria confiar nela. É somente quando ela permite Gilbert ler seu diário que a verdade é revelada e os detalhes chocantes do casamento desastroso que ela deixou para trás emergem. O Inquilino de Wildfell Hall é um retrato poderoso de luta de uma mulher para sua independência e liberdade criativa.
  • Jane Eyre

  • Órfã Jane Eyre cresceu na casa de sua tia sem coração, onde ela permaneceu solitária e conheceu a crueldade da tia e primos. Foi mandada para uma escola de caridade em um severo regime. Este infância conturbada reforça a força natural do espírito de Jane - que se revelem necessárias, quando ela encontra uma posição como governanta em Thornfield Hall. Mas quando ela encontra o amor com seu empregador sardônico, Rochester, a descoberta de seu segredo terrível a leva a fazer uma escolha. Ela deveria ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir suas convicções, mesmo que isso signifique deixar o homem que ela ama. http://www.penguinclassics.co.uk
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