Agnes Grey, pág 193

… Faço aqui uma pausa. O meu diário, do qual compilei estas páginas, pouco mais longe vai. Poderia continuar durante alguns anos, mas contento-me em acrescentar que jamais esquecerei a tarde daquele dia glorioso de verão e sempre me recordarei com prazer infinito da extremidade desse precipício, onde estávamos juntos, contemplando o esplêndido pôr-do-sol no mundo irrequieto das águas a nossos pés… com os corações a transbordar de gratidão, de alegria e felicidade… tão cheios que não podíamos falar.

Poucas semanas mais tarde, logo que mamãe arranjou quem me substituísse, fiquei sendo esposa de Edward Weston. Nunca tive motivo para arrepender-me e tenho a certeza de que jamais o terei. Tivemos nossos aborrecimentos e sabemos que outros com certeza virão. Mas suportamo-los sempre unidos, procurando mutuamente fortalecer-nos para ter a coragem da separação final, que é a maior das aflições para aquele que sobrevive ao outro. Mas, se tivermos sempre presente ao espírito a idéia do céu, onde ambos nos encontraremos novamente, o pecado e a aflição ser-nos-ão desconhecidos, embora seguramente, também, possam ser suportados. Entretanto, esforçar-nos-emos para glorificar Aquele que tantas bençãos derramou em nossos caminhos.

Edward, com os seus aturados esforços, conseguiu enormes melhoramentos para a sua paróquia. É estimado e querido pelos seus habitantes, como aliás merece, porque embora, como todos, tenha seus defeitos, desafio quem quer que seja a censurá-lo na sua qualidade de pastor, de marido e de pai.

Nossos filhos, Edward, Agnes e a pequena Mary prometem bastante. Sua educação, por agora, está sobretudo entregue a mim e procurarei proporcionar-lhes tudo quanto depender dos cuidados de mãe. nossa modesta renda basta amplamente para as nossas necessidades e, fazendo economia, coisa que aprendemos em nossos tempos piores e nunca tentando imitar vizinhos ricos, conseguimos não só viver com certo conforto e satisfação, mas cada ano temos conseguido pôr de lado alguma coisa para nossos filhos e alguma coisa para dar áqueles que precisam. Mamãe manteve a sua promessa: alternava as  suas férias com as suas duas filhas. E vivemos felizes, assim, unidos nas horas boas e nas horas más.

E parece-me que já disse o bastante.

FIM

 
 

Anne Brontë

 Nota: o livro do qual retirei este trecho, foi publicado no Brasil em 1977, com o título de “A Preceptora”. É a tradução de Agnes Grey, feita por José Maria Machado para a Editora Clube do Livro LTDA. que eu saiba, foi a única vez que o livro foi traduzido e publicado aqui no país.

Apesar de ser uma história aparentemente singela, Agnes Grey tem alguns traços altamente biográficos da vida da autora, Anne Brontë, como Edwuard Weston, provavelmente inspirado em William Weightman. Além disso, ela certamente utilizou suas vivências do tempo em que trabalhou como preceptora para compor o livro, através de sua personagem Agnes.

Anne tinha uma clara percepção da sociedade da época. Nesse trecho ficam explícito seus valores morais, bem como sua fé em Deus, bastante acentuada e característica de seus romances e também poemas.

Aqui, ela pode concretizar seu romance com Weightman, pelo menos na ficção.

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  • Portrait atribuído a Charlotte Brontë 1850 - National Portrait Gallery, Londres
  • Haworth Parsonage

    Escadas para o primeiro andar

  • Poemas

  • Os poemas de Emily Jane Brontë são obras apaixonadas e poderosas que transmitem a vitalidade do espírito humano e do mundo natural. Apenas 21 de seus poemas foram publicados durante sua vida - este volume contém esses e todos os outros atribuídos a ela. Muitos poemas descrevem o país mítico de Gondal e seus cidadãos de que ela imaginava com Anne, o unico registro sobrevivente de sua criação conjunta. Outros trabalhos visionários, incluindo "Remembrance" e "No coward soul is mine", corajosamente enfrentou a mortalidade e antecipou a vida após a morte. E poemas como "Redbreast early in the morning" e "The blue bell is the sweetest flower" evocam as belezas selvagens da natureza que ela observou nas charnecas de Yorkshire, ao mesmo tempo, examina o estado de sua psique. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Wuthering Heights

  • Em uma casa assombrada por memórias, o passado está em toda parte ... Quando a escuridão cai, um homem preso em uma tempestade de neve é forçado a abrigar-se na casa do estranho e sombrio morro dos ventos uivantes. É um lugar que ele nunca vai esquecer. Lá, ele irá conhecer a história de Cathy: como ela foi forçada a escolher entre seu marido bem intencionado e o homem perigoso que ela tinha amado desde que era jovem. Como sua escolha levou a traição e uma vingança terrível - e continua a atormentar aqueles no presente. Como o amor pode transgredir convenções autoridade, até mesmo a morte. E como o desejo pode matar. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Agnes Grey

  • Quando sua família se torna empobrecida depois de uma especulação financeira desastrosa, Agnes Grey determina-se a encontrar trabalho como governanta, a fim de contribuir para o seu magro rendimento e afirmar a sua independência. Mas o entusiasmo de Agnes é rapidamente extinto, enquanto ela enfrenta as primeiras lutas com as crianças incontroláveis Bloomfield e depois com o desprezo doloroso da altiva família Murray; ela só recebe bondade do Sr. Weston, o cura joven. Baseando-se em sua própria experiência, o primeiro romance de Anne Brontë oferece uma perspectiva atraente sobre a posição desesperada das solteiras, mulheres educadas para se tornarem governantas, por ser a única carreira respeitável para moças pobres na sociedade vitoriana. http://www.penguinclassics.co.uk
  • The Tenant of Wildfell Hall

  • "Eu já não amo meu marido - eu o odeio! As palavras para mim, no rosto, são como uma confissão de culpa” Gilbert Markham está profundamente intrigado por Helen Graham, uma jovem mulher bonita e misteriosa que se mudou para perto Wildfell Hall com seu jovem filho. Ele é rápido para oferecer a Helen sua amizade, mas quando seu comportamento recluso passa a ser o assunto de fofocas locais e especulação, Gilbert começa a se perguntar se deveria confiar nela. É somente quando ela permite Gilbert ler seu diário que a verdade é revelada e os detalhes chocantes do casamento desastroso que ela deixou para trás emergem. O Inquilino de Wildfell Hall é um retrato poderoso de luta de uma mulher para sua independência e liberdade criativa.
  • Jane Eyre

  • Órfã Jane Eyre cresceu na casa de sua tia sem coração, onde ela permaneceu solitária e conheceu a crueldade da tia e primos. Foi mandada para uma escola de caridade em um severo regime. Este infância conturbada reforça a força natural do espírito de Jane - que se revelem necessárias, quando ela encontra uma posição como governanta em Thornfield Hall. Mas quando ela encontra o amor com seu empregador sardônico, Rochester, a descoberta de seu segredo terrível a leva a fazer uma escolha. Ela deveria ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir suas convicções, mesmo que isso signifique deixar o homem que ela ama. http://www.penguinclassics.co.uk
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