Estrelas – Emily Brontë

Ah! Por que o sol brilhante

Restaurou a alegria à nossa Terra,

Vocês partiram, todas,

E deixaram um céu deserto?

 

Durante toda a noite, seus gloriosos olhos

Estavam fixos em mim,

E, com suspiros agradecidos de todo o coração,

Eu abençoei aquela visão divina.

 

Eu estava em paz, e absorvi seus raios de luz

Como se eles fossem vida para mim;

E deleitei-me em meus sonhos inconstantes

Como ave sobre o mar.

 

Pensamento seguiu pensamento, estrela seguiu estrela

Através de regiões infinitas;

Enquanto uma doce influência, perto e longe,

Entusiasmou-nos e provou-se única para nós!

 

Por que a aurora da manhã rompe

Um encanto tão grande, tão puro;

E queima com fogo a face tranquila,

Onde seu brilho refrescante tocou?

 

Vermelho-sangue, ele se levantou, e, apontou para mim,

Seus raios ferozes atingiram minha fronte;

A alma da natureza surgiu, elevada,

Mas a minha afundou triste!

 

Minhas pálpebras fecharam-se, mas atrvés de seu véu

Eu o vi, brilhante, ainda,

E mergulhava em ouro o escuro vale,

E brilhava em cima da colina.

 

Eu voltei-me para o travesseiro, então,

Para chamar de volta a noite, e ver

Seus mundos de solene luz, novamente,

Pulsarem em meu coração, e em mim!

 

Isso não aconteceria – o travesseiro brilhava,

E brilhavam o teto e o chão;

E pássaros cantavam alto na floresta,

E ventos frescos sacudiam a porta;

As cortinas balançavam, as moscas despertas

Estavam zumbindo em volta do meu quarto,

Aprisionadas lá, até que eu levantasse

E as deixasse partir à vaguear.

 

Oh, estrelas, e sonhos, e gentil noite;

Oh, noite e estrelas, voltem!

E escondam-me da luz hostil

Que não aquece, mas queima;

Que drena o sangue dos homens que sofrem;

Que bebe lágrimas, em vez de orvalho;

Deixe-me dormir durante seu ofuscante reinado,

E acordar somente com você!

Imagens:   rceliamendonca.wordpress.com

 

Stars

 

Ah! why, because the dazzling sun

Restored our Earth to joy,

Have you departed, every one,

And left a desert sky?

 

All through the night, your glorious eyes

Were gazing down in mine,

And, with a full heart’s thankful sighs,

I blessed that watch divine.

 

I was at peace, and drank your beams

As they were life to me;

And revelled in my changeful dreams,

Like petrel on the sea.

 

Thought followed thought, star followed star

Through boundless regions, on;

While one sweet influence, near and far,

Thrilled through, and proved us one!

 

Why did the morning dawn to break

So great, so pure, a spell;

And scorch with fire the tranquil cheek,

Where your cool radiance fell?

 

Blood-red, he rose, and, arrow-straight,

His fierce beams struck my brow;

The soul of nature sprang, elate,

But mine sank sad and low!

 

My lids closed down, yet through their veil

I saw him, blazing, still,

And steep in gold the misty dale,

And flash upon the hill.

 

I turned me to the pillow, then,

To call back night, and see

Your worlds of solemn light, again,

Throb with my heart, and me!

 

It would not do – the pillow glowed,

And glowed both roof and floor;

And birds sang loudly in the wood,

And fresh winds shook the door;

The curtains waved, the wakened flies

Were murmuring round my room,

Imprisioned there, till I should rise,

And give them leave to roam.

 

Oh, stars, and dreams, and gentle night;

Oh, night and stars, return!

And ride me from the hostile light

That does not warm, but burn;

That drain the blood of suffering men;

Drinks tears, instead of dew;

Let me sleep through his blinding reign,

And only wake with you!

 

The Complete Poems of Emily Brontë (1908)

Clement Shorter

Para Maria Oliveira

 

 

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In search of the Brontës – parte 2






Um documentário produzido pela BBC em 2003 e transmitido pelo canal de TV do Parlamento grego.
Dirigido por Samira Osmar.
ksotikoula’s channel no youtube (o canal também tem o documentário The Real Jane Austen)
http://www.ksotikoula.blogspot.com.br/ (o blog tem fotos lindas de Haworth)

In search of the Brontës – parte 1






Um documentário produzido pela BBC em 2003 e transmitido pelo canal de TV do Parlamento grego.
Dirigido por Samira Osmar

Dois retratos de Anne Brontë

Anne Brontë, por Charlotte Brontë

Anne Brontë, por Charlotte Brontë

A caçula das irmãs Brontë ocupa um lugar todo especial no meu coração. Seus poemas são muito belos e de bastante sensibilidade, como A Pomba Cativa, e seus romances são muito bons.

Gosto muito de Agnes Grey, pois possui traços autobiográficos ( acredita-se que Mr. Weston tenha sido inspirado por William Weightman, jovem pároco em Haworth, que parece ter conquistado o amor de Anne, segundo alguns indícios). A personagem principal foi inspirada na própria trajetória da autora como preceptora. É um romance singelo, mas belo e bem escrito. Não há como ler Agnes Grey sem sentir uma profunda simpatia pela personagem, é quase como se pudéssemos partilhar os seus sentimentos em algumas ocasiões.

                           Anne Brontë, versão de um retrato feito por Branwell Brontë

Me chama bastante atenção também o amadurecimento  de Anne como escritora. Em  seu segundo romance, A Inquilina de Wildfell Hall, a personagem principal, depois de sofrer todo tipo de humilhações possíveis por parte de seu marido, o abandona. Como isso deve ter parecido chocante no século dezenove, onde a mulher ainda era considerada propriedade do homem com quem se casava. Anne foi corajosa; parece que nessa altura de sua vida, ela já tinha visto mais coisas, compreendido melhor o mundo e as pessoas de sua sociedade e isso refletiu em sua escrita. Seu irmão Branwell teve problemas com a bebida e talvez esse fato esteja relacionado com o romance, pois a morte dele abalou profundamente toda a família Brontë.

Dandara Machado

www.mick-armitage.staff.sheff.ac.uk/anne/ann5face.html

 

Jane Eyre – págs. 101 a 102

“…  Pode me censurar quem quiser, quando eu acrescentar ainda que, uma vez ou outra, quando passeava sozinha pela propriedade; quando descia até os portões e olhava por eles a estrada; ou quando, enquanto Adèle brincava com sua babá, e a Sra. Fairfax fazia geleias na despensa, eu subia as três escadas, erguia o alçapão do sótão e, tendo chegado ao telhado, olhava à distância os campos e montes confinados e a linha do horizonte – ansiava por um poder de visão que ultrapassasse aquele limite; que alcançasse o mundo ativo, as cidades, as regiões cheias de vida das quais ouvira falar mas nunca vira; desejava mais experiência prática que a que possuía; maior relacionamento com a minha espécie, maior conhecimento de caráteres variados, do que o que havia ali ao meu alcance. Eu valorizava o que era bom na Sra. Fairfax, e o que era bom em Adèle; mas acreditava na existência de outros e mais variados tipos de bondade, e o que acreditava queria contemplar.

Quem me censura? Muitos, sem dúvida: e serei chamada de descontente. Eu não podia impedí-lo, a inquietação estava em minha natureza; agitava-me até a dor às vezes…”

 

JANE EYRE,  Charlotte Brontë, final da página 101 ao começo da página 102

Francisco Alves,1983

Tradução de Marcos Santarrita

 

Gostaria de agradecer a minha amiga Regina Mendonça ( rceliamendonca.wordpress.com) , por permitir que eu use as imagens que salvo do blog dela para ilustrar os meus posts.

Dandara Machado

 

  • Portrait atribuído a Charlotte Brontë 1850 - National Portrait Gallery, Londres
  • Haworth Parsonage

    Escadas para o primeiro andar

  • Poemas

  • Os poemas de Emily Jane Brontë são obras apaixonadas e poderosas que transmitem a vitalidade do espírito humano e do mundo natural. Apenas 21 de seus poemas foram publicados durante sua vida - este volume contém esses e todos os outros atribuídos a ela. Muitos poemas descrevem o país mítico de Gondal e seus cidadãos de que ela imaginava com Anne, o unico registro sobrevivente de sua criação conjunta. Outros trabalhos visionários, incluindo "Remembrance" e "No coward soul is mine", corajosamente enfrentou a mortalidade e antecipou a vida após a morte. E poemas como "Redbreast early in the morning" e "The blue bell is the sweetest flower" evocam as belezas selvagens da natureza que ela observou nas charnecas de Yorkshire, ao mesmo tempo, examina o estado de sua psique. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Wuthering Heights

  • Em uma casa assombrada por memórias, o passado está em toda parte ... Quando a escuridão cai, um homem preso em uma tempestade de neve é forçado a abrigar-se na casa do estranho e sombrio morro dos ventos uivantes. É um lugar que ele nunca vai esquecer. Lá, ele irá conhecer a história de Cathy: como ela foi forçada a escolher entre seu marido bem intencionado e o homem perigoso que ela tinha amado desde que era jovem. Como sua escolha levou a traição e uma vingança terrível - e continua a atormentar aqueles no presente. Como o amor pode transgredir convenções autoridade, até mesmo a morte. E como o desejo pode matar. http://www.penguinclassics.co.uk
  • Agnes Grey

  • Quando sua família se torna empobrecida depois de uma especulação financeira desastrosa, Agnes Grey determina-se a encontrar trabalho como governanta, a fim de contribuir para o seu magro rendimento e afirmar a sua independência. Mas o entusiasmo de Agnes é rapidamente extinto, enquanto ela enfrenta as primeiras lutas com as crianças incontroláveis Bloomfield e depois com o desprezo doloroso da altiva família Murray; ela só recebe bondade do Sr. Weston, o cura joven. Baseando-se em sua própria experiência, o primeiro romance de Anne Brontë oferece uma perspectiva atraente sobre a posição desesperada das solteiras, mulheres educadas para se tornarem governantas, por ser a única carreira respeitável para moças pobres na sociedade vitoriana. http://www.penguinclassics.co.uk
  • The Tenant of Wildfell Hall

  • "Eu já não amo meu marido - eu o odeio! As palavras para mim, no rosto, são como uma confissão de culpa” Gilbert Markham está profundamente intrigado por Helen Graham, uma jovem mulher bonita e misteriosa que se mudou para perto Wildfell Hall com seu jovem filho. Ele é rápido para oferecer a Helen sua amizade, mas quando seu comportamento recluso passa a ser o assunto de fofocas locais e especulação, Gilbert começa a se perguntar se deveria confiar nela. É somente quando ela permite Gilbert ler seu diário que a verdade é revelada e os detalhes chocantes do casamento desastroso que ela deixou para trás emergem. O Inquilino de Wildfell Hall é um retrato poderoso de luta de uma mulher para sua independência e liberdade criativa.
  • Jane Eyre

  • Órfã Jane Eyre cresceu na casa de sua tia sem coração, onde ela permaneceu solitária e conheceu a crueldade da tia e primos. Foi mandada para uma escola de caridade em um severo regime. Este infância conturbada reforça a força natural do espírito de Jane - que se revelem necessárias, quando ela encontra uma posição como governanta em Thornfield Hall. Mas quando ela encontra o amor com seu empregador sardônico, Rochester, a descoberta de seu segredo terrível a leva a fazer uma escolha. Ela deveria ficar com ele e viver com as consequências, ou seguir suas convicções, mesmo que isso signifique deixar o homem que ela ama. http://www.penguinclassics.co.uk
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